PODER 360 – 12/02/2025
Um dos grandes desafios para a descarbonização brasileira está nos transportes. Somente esse setor exige 33% de toda a energia consumida no País, à frente até mesmo da demanda industrial, com 31,8%. E de todos os combustíveis usados, o diesel lidera a lista, com 43,4%, seguido da gasolina (27,8%), etanol (17,3%) e biodiesel (5,2%). Os dados são do BNE (Balanço Energético Nacional) de 2024 e foram divulgados (PDF – 2 MB) em junho passado pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética) em parceria com o Ministério de Minas e Energia.
Logo, qualquer plano sério de redução da pegada de carbono passa pela adoção de medidas eficazes para combater o diesel, que emite aproximadamente 32,2% a mais de emissões na comparação com gás natural e 698% do que o biometano, segundo dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, organização científico-política criada em 1988.
Além de contribuir para as reduções de emissões, o uso de gás natural veicular tem destacado papel social. É um combustível que reduz a praticamente zero a emissão de material particulado, aquela fumaça preta tão nociva à saúde.
Um estudo do Instituto Saúde e Sustentabilidade, divulgado em 2019, calculou que, de acordo com um cenário simulado de substituição de 50% da frota de 2018 até 2025, a manutenção do modelo poderia, ao final do ciclo, evitar a morte de 26.000 pessoas em São Paulo e no Rio de Janeiro. E que a substituição de metade da frota de ônibus de transporte urbano no Rio e em São Paulo poderia reduzir em até 5.000 internações hospitalares de pacientes, com economia ao SUS de R$ 8,8 milhões, em valores da época.
É importante observar que o investimento em gás natural é um passo crucial para o aumento da produção de biometano, principalmente depois da aprovação da lei 14.993 de 2024, conhecida como Lei Combustível do Futuro. Ambos são combustíveis totalmente intercambiáveis e fungíveis, ou seja, podem ser misturados em qualquer composição.
Por fim, cabe destacar que o gás natural é o combustível do tempo presente. Não é uma hipótese; é realidade, configurando-se como uma alternativa estratégica e eficaz para substituir o diesel, permitindo que o Brasil possa alcançar com mais celeridade suas metas ambientais, uma vez que é competitiva, tem rota tecnológica consolidada, dispõe de uma crescente oferta de gás e viabiliza a integração com um mercado de biometano em plena ascensão.
Fonte: PODER 360
https://www.poder360.com.br/opiniao/o-transporte-urbano-sera-mais-eficiente-com-a-descarbonizacao/