Valor Econômico – 31/03/2025

Sustentabilidade financeira, iniciativas avançadas de gestão de resíduos combinadas com políticas públicas eficazes e ações comunitárias são algumas das medidas que levaram Florianópolis (SC) a liderar o ranking brasileiro de limpeza urbana. O levantamento, divulgado pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), mostra que, das dez cidades selecionadas pelas melhores práticas de gestão em 2024, oito estão localizadas na região Sul e duas no Sudeste.

“Desde 2003, Florianópolis, que tem hoje quase 600 mil habitantes, já cobra, por decreto, uma taxa de coleta de resíduos sólidos de todos os seus moradores”, explica Ulisses Bianchini, secretário do Meio Ambiente do município. “A cobrança dessa tarifa proporciona uma arrecadação anual em torno de R$ 190 milhões, que nos garante a sustentabilidade financeira de quase 85% dos gastos com as atividades de limpeza urbana”, afirma.

O levantamento baseou-se em dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), obtidos junto a mais de 5,5 mil municípios brasileiros. Os indicadores refletem avaliações em quatro dimensões: engajamento no que diz respeito aos serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos, sustentabilidade financeira, recuperação de resíduos coletados e impacto ambiental.

Rodrigo Neves, prefeito de Niterói (RJ), que aparece em terceiro lugar no ranking, afirma que o desempenho do município é resultado de planejamento estratégico, gestão fiscal responsável e o desenvolvimento de ação integrada de saneamento ambiental. “Além disso, ter o ambiente com distribuição de água tratada para 100% das residências e a coleta e o tratamento do esgoto em 97% das moradias, de maneira integrada à política de limpeza urbana, foi muito importante para a cidade”, diz ele.

Em Campinas (SP), a cobrança da taxa de lixo dos moradores ocorre desde 1993. “Existe inadimplência, é verdade, em torno de 12%, mas a cobrança desta tarifa rende uma arrecadação de R$ 260 milhões por ano, viabilizando nossos gastos com limpeza urbana que, atualmente, somam em torno de R$ 230 milhões”, afirma Ernesto Paulella, secretário de Serviços Públicos do município paulista.

Fonte: Valor Econômico

https://valor.globo.com/publicacoes/especiais/saneamento/noticia/2025/03/31/manejo-de-residuos-avanca-com-limpeza-urbana.ghtml