Valor Econômico – 31/03/2025
As atividades dos aterros sanitários vão além do recebimento e tratamento de resíduos orgânicos e passam pela valorização de resíduos, sobretudo com a produção de biogás e de biometano. “O futuro é o reaproveitamento energético dos resíduos”, declara Hamilton Agle, CEO da Estre Ambiental, ecoando o pensamento do setor. “Até nossos projetos de biogás para gerar energia elétrica estão migrando para o biometano”, ressalta Pedro Maranhão, presidente da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema).
O biogás resulta da decomposição do material orgânico. O biometano, por sua vez, advém do processo de purificação do biogás, um procedimento que requer altos investimentos. Tanto que o setor deve destinar R$ 8 bilhões, até 2029, para essa finalidade, conforme Maranhão. A Lei do Combustível do Futuro é um catalisador para o desenvolvimento da produção ao obrigar as concessionárias de gás a comprar, por dez anos, 1% de biometano equivalente ao que consomem em gás natural.
Segundo a Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), em 2024, o Brasil consumiu 52,47 milhões de m3 /dia. “Há também uma grande perspectiva com a substituição do diesel pelo biometano”, lembra Sérgio Arosti, diretor de energia verde da Solví. “Temos um mercado de vastas oportunidades”, reforça Milton Pilão, CEO da Orizon.
A Solví inaugurou, em 2024, uma planta de biometano no aterro de Caieiras (SP), que recebe cerca de 10,5 mil toneladas diárias de resíduos, sendo cerca de 50% da cidade de São Paulo, segundo Arosti.
A Orizon, que possui 17 aterros sanitários no país e processa hoje mais de 9 milhões de toneladas/ano, colocou em prática um programa de R$ 1,2 bilhão de investimentos para produzir biometano. Neste ano, entram em operação as duas maiores plantas da empresa. “A companhia vai entregar novas plantas todo ano. Todos os aterros terão unidades de biometano, quando acabar esse ciclo de investimentos”, afirma Pilão.
A Estre planeja erguer três plantas de purificação de biogás, o que deverá envolver cerca de R$ 300 milhões, de acordo com Agle. Dos cinco aterros da empresa que recebem mais de 2 milhões de toneladas de resíduos por ano, os que vão produzir biometano são Fazenda Rio Grande, que atende a região de Curitiba (PR), o de Guatapará, que recebe o material da região de Ribeirão Preto (SP), e o de Piratininga – destino do material da região de Bauru e Jaú, no Estado de São Paulo. A planta Fazenda Rio Grande tem parceria com a Orizon.
O programa de investimentos da Marquise Ambiental em biometano deverá atingir R$ 500 milhões, de acordo com Hugo Nery, presidente da empresa. Cerca de R$ 150 milhões foram aplicados na planta de Fortaleza (CE), que já está em operação. Também prevê produção de biometano nos aterros de Osasco (SP) e Aquiraz (CE). Para completar o ciclo de investimentos, a empresa ainda depende de negociações e acertos jurídicos com as prefeituras de Manaus (AM) e Porto Velho (RO).
Fonte: Valor Econômico