O Globo – 31/03/2025
O Brasil ainda precisa investir centenas de bilhões de reais para universalizar o tratamento do esgoto, mas a correta destinação dos resíduos sólidos também segue como um problema. São 1,6 mil cidades país afora que ainda têm lixões, evidenciando que as metas de erradicação não foram atingidas, mas há quem veja na mazela uma oportunidade para avançar na transição energética para uma economia de baixo carbono.
Com o tratamento correto, aterros sanitários aproveitam o biogás gerado na decomposição do lixo para gerar eletricidade ou, principalmente, produzir o biometano, combustível equivalente ao gás natural, tanto industrial quanto veicular (GNV), conforme padrão da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Hoje, o Brasil produz 840 mil metros cúbicos de biometano por dia, segundo a Associação Brasileira do Biogás (Abiogás). São 11 usinas de processamento no país, a maioria instalada em aterros sanitários.
Quando outras 32 usinas que aguardam autorização de instalação da ANP começarem a produzir, adicionarão 1,4 milhão de metros cúbicos por dia de produção, segundo a Abiogás. Projetos mapeados pela entidade apontam para uma produção de 8 milhões de metros cúbicos por dia em 2030. Nas contas da Abiogás, o potencial teórico de produção de biometano do Brasil é de 120 milhões de metros cúbicos por dia, mais do que o dobro do consumo atual de gás natural.
Em 2024, o consumo médio por dia foi de 52,5 milhões de metros cúbicos, segundo a Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás).
E, embora atualmente a maior parte das usinas esteja instalada em aterros sanitários, o grande potencial está na agroindústria, principalmente no aproveitamento de resíduos da produção de açúcar e etanol e do esterco da criação de animais.
A presidente executiva da Abiogás, Renata Isfer, está otimista com o avanço da produção. Impulsos à demanda de longo prazo vêm da Lei do Combustível do Futuro, conjunto de políticas de incentivo aprovada em outubro de 2024 que cria os programas nacionais de diesel verde, de combustível sustentável para aviação e de biometano; da primeira chamada de compra lançada pela Petrobras e de sinais de que custos competitivos poderão impulsionar de vez o uso de caminhões a gás. — A sinergia vem das próprias distribuidoras de combustíveis, olhando para o mercado de diesel. Essa movimentação em favor da troca dos caminhões vai ser importante e virá para ficar — afirma Renata.
Fonte: o Globo