Valor Econômico – 31/03/2025

Cerca de 6,7 milhões de toneladas de material seco foram enviados para a reciclagem no Brasil em 2023, o que corresponde a 8,3% dos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) gerados. Esse último panorama da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema) mostra que há muito potencial de crescimento nesta área. Políticas e investimentos públicos e também privados somados à adoção de economia circular, logística reversa e outras medidas ambientais colocam esse segmento em uma vitrine sob intensa pressão.

Dos 4,2 milhões de toneladas de material seco recolhidos – basicamente metais, papel, papelão, tetrapak, diferentes tipos de plásticos e vidro – pelos serviços públicos e enviados para centrais de triagem, houve recuperação de 2,2 milhões de toneladas. Já a coleta informal, feita por catadores autônomos, foi responsável por cerca de 4,5 milhões de toneladas de RSU com produtividade de 100%, já que eles coletam apenas o que tem valor de venda.

Com esse resultado, os catadores lutam para serem valorizados e receberem por todos os serviços que já fazem e não são pagos, como coleta e triagem, e não apenas pela entrega. E querem ainda ampliar suas participações em novas atividades que estariam a seu alcance. “Queremos uma plataforma de serviços onde já estamos prontos para atuar e que nos valorize mais”, afirma Roberto Rocha, presidente da Associação Nacional de Catadores (Ancat).

Rocha cobra “vontade política” para garantir que os catadores tenham acesso à massa de créditos anunciada pelo governo como, por exemplo, o recente edital do BNDES, batizado de Tudo na Circularidade, no valor de R$ 20 milhões. A Ancat também aguarda a execução do programa Cataforte, retomado pelo governo federal e que aporta R$ 103,6 milhões para fortalecer e estruturar essas cooperativas.

Fonte: Valor Econômico

https://valor.globo.com/publicacoes/especiais/saneamento/noticia/2025/03/31/reciclagem-de-agua-na-base-da-economia-circular.ghtml