G1PR – 13/03/2025

Pelos bairros de Curitiba, milhares de homens e mulheres atravessam as ruas da capital diariamente na busca por recicláveis. É a revenda desses resíduos que garante o mínimo para muitas famílias.

No município, os catadores representam 83,1% da coleta de material reciclável, conforme a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA) – deste total, mais de 75% são trabalhadores informais, autônomos que, muitas vezes, não têm direitos trabalhistas.

Entre os carrinhos que percorrem a capital está o de Marcos Antônio Mendes, conhecido como Marquinhos. Ele, que tem 46 anos de idade, é natural Maringá, no norte do Paraná, e percorre 60 quilômetros diários na capital enquanto trabalha.

Com jornada de 12 a 15 horas por dia, ele tem o Centro da capital como “escritório de trabalho”. Tudo o que ele coleta, troca em uma cooperativa que faz a separação dos resíduos, no bairro Jardim Botânico.

“Eu nunca cheguei a fazer as contas de quanto eu ganho, mas eu consigo sobreviver bem”, destaca.

Quando o carrinho de Marquinhos está cheio – podendo pesar até 400 quilos, segundo ele – o trabalhador dorme no veículo, pelas ruas da cidade. Segundo Marquinhos, ele prefere fazer isso porque voltar para casa, no bairro Prado Velho, seria ainda mais cansativo.

Na rotina árdua, Marquinhos encontra tempo para colecionar ursinhos que encontra enquanto procura por recicláveis. Amarrados à gaiola e fazendo companhia nas longas caminhadas dele, há personagens que marcaram a infância de muitos, como o Pica-Pau, Bob Esponja e Teletubbies.

Informalidade sustenta coleta de recicláveis em Curitiba, mostram números

Dos mais de 155 mil de resíduos sólidos coletados por ano, estima-se que os catadores coletam 129 mil toneladas de materiais recicláveis na cidade, conforme a Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

Segundo a SMMA, os catadores são divididos em dois grupos na capital:

  • Catadores vinculados ao programa Ecocidadão, no qual recebem resíduos sólidos da coleta do “Lixo que Não é Lixo” para venda por meio de associações e/ou cooperativas e recebem um valor da prefeitura, oriundo da venda dos materiais separados em barracões que atendem esta etapa da cadeia do lixo.
  • Catadores informais, que não têm nenhuma ligação com a Prefeitura de Curitiba e trabalham de maneira autônoma pelas ruas da cidade.

O cenário atual é de que a coleta de material reciclável de Curitiba é, em números, sustentada pelos trabalhadores informais. Assim como Marquinhos, mais de três mil catadores atuam informalmente na capital, estima a prefeitura. Este grupo representa 75,4% da coleta de recicláveis por ano, também conforme o governo municipal.

No grupo de catadores adeptos ao Ecocidadão, são 900 membros que, anualmente, respondem por 7,7% da coleta de resíduos. O que sobra é responsabilidade da prefeitura, que recolhe, em média, 26 mil toneladas dos resíduos por ano.

Fonte: G1

https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2025/03/13/catadores-informais-coleta-de-reciclaveis-curitiba.ghtml