DUAS PERGUNTAS 

Pedro Maranhão responde

1) Como evolui o cenário de RSU no Brasil. O que mostram os dados deste ano em comparação com a última edição do levantamento?

A edição do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil de 2022 indica que a geração de resíduos sólidos urbanos (RSU) nos domicílios brasileiros sofreu queda de 1% em relação a 2021, um provável reflexo das mudanças econômicas e comportamentais provocadas pela pandemia de COVID. O total anterior, de 82,6 milhões de ton./ano, caiu para 81,8 milhões ton./ano. No âmbito regional, existem grandes diferenças na geração. Enquanto o Sudeste responde por quase 50% do total de resíduos gerados no país, com uma geração de 450 kg/hab./ano, a região Norte representa 7,5% do total, ou 323 kg/hab./ano.

Quanto à cobertura da coleta, o levantamento mostra que, em 2022, 93% dos domicílios brasileiros foram atendidos. Essa porcentagem, à primeira vista impressiona bem. No entanto, os 7% da população que ficou sem ser atendida pelo serviço de coleta corresponde a uma população maior que a da Bélgica sem proteção à saúde público e ao meio ambiente. Esse quadro torna-se ainda mais grave se considerarmos que 39% dos resíduos coletados ainda são enviados para áreas de disposição inadequada.

Apesar de mais de uma década da vigência da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), os dados indicam que o correto manejo dos resíduos ainda está aquém do que determina a Lei. Em 2022, estima-se que o Brasil possua cerca de 3000 áreas de disposição inadequada, ou seja, aterros controlados e lixões a céu aberto, que ameaçam a biodiversidade, contaminam corpos hídricos como rios e oceanos, poluem a atmosfera e contribuem para a disseminação de doenças que ameaçam a saúde de 78 milhões de pessoas.

Observando um recorte regional, nas regiões Sudeste e Sul a destinação inadequada dos resíduos sólidos atingiu 25,7% e 28,4% respectivamente. Já as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste registraram um destino inadequado de 63.4%, 62.8% e 56,5% dos resíduos coletados, respectivamente.

Esses dados mostram claramente o quanto temos ainda que avançar no âmbito nacional para atingir a universalização dos serviços, que inclui não apenas a coleta dos resíduos, mas também sua destinação ambientalmente adequada. São também um indicador gritante das desigualdades regional, social e econômica ainda reinantes no Brasil.

2) Como evolui o cenário da reciclagem no país?

 Os últimos dados mostram que os resíduos secos representam 33,6% de todo o resíduo gerado no Brasil, enquanto a fração orgânica totaliza 45,3% e rejeitos correspondem a 14,1% do total e são compostos, principalmente, por materiais sanitários. Quanto às demais frações, resíduos têxteis, couros e borrachas representam 5,6%, e outros resíduos, 1,4%.

A reciclagem trabalha com os resíduos incluídos na fração seca (33,6%) e integra um rol de soluções para aproveitamento e valorização de resíduos, que contribuem para uma economia mais circular e de baixo carbono.

Eu costumo dizer que ‘lixo não é mais lixo’. Não é mais aquele ‘lixo’ que as pessoas imaginavam há alguns anos. Hoje, com os avanços e inovações do setor de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, tem-se um maior aproveitamento e valorização dos resíduos. As diferentes categorias de resíduos são assimiláveis por uma cadeia de manejo que gera valor e riqueza. Numa ponta estão coletores e catadores, que conseguem uma renda para sobreviver, na outra estão as indústrias de triagem e transformação, que utilizam essas matérias primas para produzir novos produtos.

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