Gomes, Pellegrino e Amodio: limpar o ambiente e transformar a economia

Tecnologia fortalece consumo consciente e reciclagem

A tecnologia tem sido uma aliada das empresas na elaboração de soluções práticas que incentivam o consumo consciente e permitem uma melhor gestão de resíduos. Os eventos que reúnem programadores, designers e outros profissionais ligados ao desenvolvimento de software, os chamados hackathons, têm sido uma importante ferramenta adotada por corporações para buscar saídas mais criativas a antigos problemas, como o descarte adequado do lixo no país.
É o que conta Luciana Pellegrino, diretora-executiva da Associação Brasileira de Embalagem (Abre) e presidente eleita da World Packaging Organization (WPO), que participou da Live do Valor +Valor Social, área de responsabilidade social da Globo, nesta terça-feira 31, com o tema central o consumo consciente e a sua contribuição para o mercado de reciclagem. A Abre fez um mapeamento com180cooperativasnas cinco regiões do Brasil para entender como trazer mais eficiência para a atuação das cooperativas e mais renda para os catadores. “Ficou claro que chegava muito rejeito, ou seja, aquele resíduo sem valor econômico para ser vendido na cadeia de reciclagem. Assim foi desenvolvido o Lupinha, que é um QRcode aplicado na embalagem de produtos. Por meio dessa tecnologia, o consumidor tem acesso a informações como o perfil do produto e de como descartar aquele item de forma correta”, diz. Juntar mentes criativas e voltadas para soluções tecnológicas também foi o caminho adotado pela Globo para pensar num aplicativo que ajuda no gerenciamento de resíduos gerados pela companhia. “O aplicativo foi desenhado com a colaboração dos funcionários para ampliar a atuação na frente interna de solução para resíduos. Um dos nossos objetivos a ser alcançado é zerar o envio de resíduos para aterros sanitários até 2023”, conta Leonardo Amódio, gerente de Gestão Imobiliária e Ambiental no Centro de Serviços Compartilhados da Globo. Com a missão de evitar que a segunda maior ameaça ambiental ao planeta, segundo a ONU, vá para os oceanos, a engenheira ambiental e sanitária na Plastic Bank, Danielle Gomes diz que tecnologia tem ajudado a rastrear tecnologicamente os plásticos até o produto ser transformado e voltar à cadeia produtiva. “O cidadão ou catador leva o plástico até o ponto de coleta para ser cadastrado, tanto a pessoa como o item. Com isso, conseguimos monitorar esse item até se tornar um novo produto que chamamos de plástico social. Com isso, já conseguimos retirar 100 milhões de quilos de garrafas coletadas, evitando assim o despejo nos mares”, diz a engenheira. Segundo Gomes, a cada 1 tonelada de resíduo recuperado cerca de 10 dez empregos são assegurados na cadeia de reciclagem de materiais. Apesar de seu potencial de geração de emprego, a cadeia de reciclagem ainda carece de espaço na agenda pública, destaca Pellegrino. “Hoje há uma grande discussão sobre o resíduo que chega para reciclagem porque ele já passou por tributação quando foi fabricado e depois será tributado novamente após ser reciclado, o que afere um custo adicional ao material. Precisamos olhar como fortalecer a cadeia de reciclagem pelo lado econômico”, afirma. Segundo ela, a reforma tributária sobre o consumo, que está em discussão no Senado Federal, não traz um olhar específico para essa demanda. “Ainda não temos uma agenda que olhe para um incentivo fiscal que traga fôlego econômico para a cadeia de reciclagem.”
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Tatiana Schnoor
De São Paulo
01/11/2023


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