ATERRO DE MINAS DO LEÃO FORNECERÁ GÁS A PARTIR DE SETEMBRO

JORNAL DO COMÉRCIO: INFRAESTRUTURA - Publicada em 26 de Março de 2024

Planta da CRVR terá capacidade para produzir até 66 mil metros cúbicos do biocombustível por ano - DIVULGAÇÃO/CRVR/JC

Eduardo Torres

A partir de setembro deste ano, o aterro sanitário de Minas do Leão, administrado pela Companhia Riograndense de Valorização de Resíduos (CRVR), deve será origem de caminhões carregados com gás biometano que abastecerão casas, indústrias e veículos no Rio Grande do Sul. A usina de produção de biometano a partir de resíduos sólidos terá capacidade para produzir até 66 mil metros cúbicos do biocombustível por ano (equivalente a 12,3 mil botijões de 13 quilos por mês) e envolve, desde o começo do ano aportes de R$ 113 milhões pela companhia. É a maior fatia dos R$ 250 milhões previstos em investimentos pela CRVR no Estado neste ano.

"É o mesmo gás consumido em residências e em processos industriais, assim como em frotas veiculares. É uma alternativa, por exemplo, ao gás natural que hoje o Estado consome na ponta da rede do gasoduto que vem da Bolívia, e será produzido a partir do resíduo gerado pela população. Há um potencial de mercado muito grande", diz o diretor presidente da empresa, Leomyr Girondi.

Esta será a primeira usina de biometano implantada pela CRVR entre as suas operações no Rio Grande do Sul. A segunda, com data para iniciar operações em setembro de 2025, será em São Leopoldo. O investimento de R$ 83 milhões é feito ainda este ano, com os equipamentos para a sua montagem já adquiridos. A usina terá capacidade de produção de 36 mil metros cúbicos de biometano por dia (6,7 mil botijões de 13 quilos por dia).

Já há um contrato de fornecimento de dez anos da CRVR à Ultragaz, com prioridade para os usos industriais e veiculares.

Aterros geram energia elétrica

A geração de biometano a partir dos resíduos sólidos é como uma segunda etapa nos investimentos da CRVR na valorização econômica do que é considerado o lixo das cidades gaúchas. Em 2015, o aterro e Minas do Leão foi o segundo do país a gerar energia elétrica a partir de uma usina térmica movimentada pelo biogás dos resíduos. Até o ano passado, este processo de criação de usinas térmicas se estendeu às outras unidades da companhia.

Entre Minas do Leão, São Leopoldo, Santa Maria, Victor Graeff e Giruá, são recebidas até 6,5 mil toneladas de resíduos por dia - 4 mil em Minas do Leão - de 300 cidades gaúchas - 80 com destino a Minas do Leão-, e geram atualmente 12,5 MW de potência em energia elétrica que, em sua maior parte, é distribuída para a rede.

"Temos a visão clara de que os aterros são como grandes biodigestores, então, é preciso tornar essa produção economicamente e ambientalmente positiva", explica Girondi.

E esta rede, em breve, poderá ser ampliada. A empresa pretende iniciar investimentos em 2025 para erguer um novo aterro em Alegrete. O empreendimento ainda está em fase de licenciamentos. Atualmente, não há aterros para atender aos municípios da Fronteira Oeste. A partir de Sant'Ana do Livramento, por exemplo, resíduos são transportados até Santa Maria.

Da triagem ao tratamento de efluentes

Segundo Girondi, em torno de 50% do material que chega aos aterros é matéria orgânica com capacidade para este tratamento e destinação energética - seja na forma de biocombustível ou de matéria prima para geração de energia elétrica. Um dos desafios atuais da empresa está no gerenciamento de outros 11% do material, que hoje ainda chega aos aterros, mas tem capacidade para voltar à cadeia produtiva.

No ano passado, a CRVR inaugurou em São Leopoldo uma moderna unidade de triagem. Agora, estuda a implantação de um modelo ainda mis mecanizado e eficiente em Minas do Leão.

O maior aterro sanitário do Rio Grande do Sul já é exemplo nos últimos seis meses no tratamento de efluentes líquidos. Lá, desde a inauguração desta operação, são tratados 60 mil litros de efluentes por hora. Neste ano, a empresa investe R$ 54 milhões entre complementações de suas operações e as implantações do mesmo sistema em Victor Graeff, São Leopoldo e, este em fase final, Santa Maria.

"Este é um serviço que atenderá uma demanda crescente, principalmente de pequenas e médias empresas gaúchas. Hoje, sem uma solução local para esse efluente, muitas acabam enviando até Santa Catarina para o tratamento", conta o diretor.

Reconhecida no Estado pela atuação no tratamento de resíduos, a CRVR passa a considerar a possibilidade de entrar também no mercado da coleta e gestão completa de resíduos urbanos. De acordo com Leomyr Girondi, a possibilidade de que este serviço passe a ser gerido por concessões a longo prazo dará maior segurança a possíveis investidores e maior possibilidade de engajamento da população sobre a importância do lixo que produz.

FICHA TÉCNICA

Investimento: R$ 250 milhões
Estágio: Em execução até 2025
Empresa: CRVR Biotérmica
Cidades: Minas do Leão, São Leopoldo, Victor Graeff e Santa Maria
Área: Infraestrutura
Investimentos em 2023: R$ 340 milhões


Fonte: 
https://www.jornaldocomercio.com/especiais/anuario-de-investimentos-2024/2024/03/1146528-aterro-de-minas-do-leao-fornecera-gas-a-partir-de-setembro.html

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